Uma grave ocorrência de violência doméstica, lesão corporal e ameaça com arma de fogo envolvendo o pastor e vereador Júlio Zanini e sua ex-esposa, Patrícia, mobilizou as forças policiais locais e resultou em depoimentos com versões completamente opostas no plantão policial. O caso, que está sob a condução do delegado responsável, Dr. Marcelo Dispore, expõe o desfecho trágico de um processo de divórcio que se arrasta com histórico de desentendimentos.
O estopim do conflito ocorreu durante um encontro marcado para a entrega de um veículo que fazia parte da partilha de bens estabelecida no acordo judicial de divórcio. A partir desse ponto, os relatos de Patrícia e de Júlio Zanini divergem drasticamente sobre quem iniciou as agressões e como um disparo de arma de fogo acabou atingindo o irmão da mulher.
A Versão de Patrícia: Agressão Física e Medo de Morrer
Visivelmente abalada e apresentando marcas roxas no rosto, Patrícia relatou à imprensa que vinha sofrendo com o descumprimento do acordo de divórcio por parte do ex-marido desde o mês de março. Ela afirmou ter ido buscar o carro de seu direito acompanhada por seu irmão. Conforme o seu relato, Júlio teria se exaltado imediatamente, iniciando uma série de ofensas verbais.
A situação escalou quando ela tentou entrar no veículo do vereador para impedir que ele se evadisse do local.
"Ele tentou me puxar, me arrancou pelos cabelos de dentro do carro. Quando eu saí, ele me juntou pelo rosto, me jogou no capô do carro e me deu um soco na cara", detalhou Patrícia, mostrando os hematomas.
Segundo ela, ao ver a cena, seu irmão interveio para defendê-la. Nesse momento, o vereador teria sacado uma arma da cintura. Mesmo com o irmão recuando e pedindo calma, Júlio efetuou um disparo que atingiu o pé do cunhado. Patrícia alegou ainda que, antes de fugir, o ex-marido pisou em seu pé, segurou-a novamente pelos cabelos e apontou a arma para sua cabeça, ameaçando que "o próximo tiro seria na sua cara".
Ela desabafou sobre os 20 anos de um relacionamento que classificou como abusivo e psicológico, justificando que o medo e a dependência a impediram de procurar a polícia anteriormente.
A Versão de Júlio Zanini: "Emboscada" e Tiro Acidental
Por outro lado, o pastor e vereador Júlio Zanini, que também apresentava ferimentos e escoriações na região dos olhos e da testa, negou categoricamente as acusações de agressão. Ele afirmou que, na verdade, foi a vítima de uma "emboscada" planejada por Patrícia e seus irmãos.
Zanini argumentou que possui porte legal de arma de fogo emitido pela Polícia Federal e que os familiares da ex-esposa tentaram se aproveitar da situação para desarmá-lo e prejudicá-lo.
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A dinâmica da briga: O parlamentar alegou que Patrícia o segurou firmemente enquanto um dos irmãos dela o agarrou por trás, iniciando uma intensa luta corporal. Ele afirma que agiu estritamente em legítima defesa para se proteger dos dois.
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O disparo: De acordo com o vereador, o cunhado tentou tomar a arma de sua cintura e, por não saber manuseá-la corretamente, acabou provocando um disparo acidental que atingiu o próprio pé.
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Ameaças posteriores: Júlio relatou que, após o tiro, passou a ser ameaçado de morte por um segundo irmão de Patrícia que estava no local.
O vereador rebateu as denúncias afirmando que a ex-esposa tenta denegrir sua imagem pública e que utiliza a Lei Maria da Penha como ferramenta de pressão. Ele assegurou possuir boletins de ocorrência anteriores contra ela por danos ao seu veículo (como pneus furados) e ameaças com faca, além de áudios que comprovariam que ela planejava "fazer maldade" contra ele.
Encaminhamentos Judiciais
Após prestarem depoimento, ambos os lados prometeram seguir com representações na Justiça. Júlio Zanini passou por exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) para comprovar as agressões sofridas e informou que sua equipe jurídica acionará os envolvidos judicialmente. Patrícia também busca a concessão de medidas protetivas de urgência devido à gravidade das ameaças de morte relatadas.
A Polícia Militar permaneceu no plantão policial acompanhando o registro do caso. A Polícia Civil agora investiga as provas apresentadas por ambas as partes — incluindo laudos médicos, depoimentos de testemunhas e possíveis registros em áudio e vídeo — para esclarecer a real dinâmica dos fatos.
Fonte: O Regional
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