Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), salientou ter sido um avanço o fato de, pela primeira vez, os países concordarem com a redução do uso de combustíveis fósseis, conforme as conclusões da 28ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP 28), encerrada nesta quarta-feira (13/12), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Porém, ele lamentou que no acordo, negociado entre 195 governos, não tenha se estabelecido um cronograma para a transição energética.

Lembrando que a ampliação de fontes limpas e renováveis é decisiva para as metas de limitar o aquecimento da Terra a 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial e zerar as emissões de gases de efeito estufa em 2050, Cervone ressaltou o papel do Brasil nessa agenda. "Nosso país assumiu a presidência do G20, que congrega alguns dos maiores consumidores de petróleo e gás natural do mundo, e sediará a COP 30, em novembro de 2025, em Belém, no Pará. Portanto, tem a oportunidade de liderar ações efetivas e de cobrar o cumprimento dos acordos", frisou.

Um dos pontos importantes da COP 28, para o presidente do Ciesp, foi o anúncio da criação de um fundo de US$ 420 milhões para apoiar países afetados pelo aquecimento global. "Embora o valor seja pequeno em relação aos enormes desafios, é crucial que a medida se efetive, pois muitos compromissos financeiros acordados nas conferências anuais do clima deixaram de ser cumpridos, pelo menos na sua totalidade", ponderou.

Cervone também observou que, além de sua posição atual no G20 e de anfitrião da COP daqui a dois anos, "o Brasil precisa liderar pelo exemplo". Para isso, tem grande potencial de fontes renováveis e limpas de energia. Ademais, a nova política de industrialização anunciada pelo

governo, conforme preconizam o Ciesp e a Fiesp, deve ser pautada em tecnologia que privilegie a sustentabilidade, substituição de combustíveis fósseis e redução do consumo de água e outros insumos naturais.

No estudo Diretrizes Prioritárias Governo Federal 2023-2026, elaborado pelas duas entidades, um ponto prioritário é "criar condições favoráveis para acelerar a transição do Brasil rumo à economia verde", enfatizou Cervone. Para alcançar tal objetivo, é necessário descarbonizar e conferir maior segurança à matriz energética. Além disso, será preciso maximizar o potencial da bioeconomia como base para a inclusão social das populações vulneráveis e das comunidades tradicionais.

"Outra ação premente é o combate ao desmatamento ilegal. Além disso, o País deve fortalecer os mecanismos de inovação tecnológica e novos modelos de negócios com base nos princípios da economia circular, aumentando a eficiência da produção e, ao mesmo tempo, reduzindo perdas e desperdícios", acentuou o presidente do Ciesp, concluindo: "Esse conjunto de ações, em estreita parceria com o setor privado, fortalecerá o posicionamento do Brasil como líder global em preservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais".

Fonte: CIESP

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