O mercado imobiliário de imóveis residenciais usados em São José do Rio Preto e região apresentou em abril de 2026 um cenário de retomada nas vendas, ao mesmo tempo em que o segmento de locações registrou retração significativa. O levantamento realizado pelo CRECISP, com a participação de 78 imobiliárias da região, aponta crescimento de 41,64% nas vendas em comparação com março, enquanto as locações sofreram queda de 33,08%.
O comportamento do consumidor evidencia um movimento importante do mercado regional: mesmo diante de juros ainda elevados e de um cenário econômico que exige cautela, muitas famílias passaram a priorizar a aquisição da casa própria, impulsionadas principalmente pelas oportunidades de financiamento imobiliário e pela estabilidade percebida em relação ao custo mensal da moradia.
As casas lideraram amplamente as vendas realizadas em abril, respondendo por 69% das negociações, enquanto os apartamentos representaram 31%. O perfil predominante das aquisições concentrou-se em imóveis de padrão intermediário, voltados principalmente para famílias em busca do primeiro imóvel ou da substituição de moradias menores por unidades mais adequadas à rotina familiar.
Entre as casas vendidas, os imóveis de dois dormitórios dominaram o mercado, representando 65,4% das operações, seguidos pelas unidades de três dormitórios, com 34,6%. A metragem mais procurada ficou entre 51 m² e 100 m² de área útil, faixa responsável por 46,2% das vendas.
Nos apartamentos, o consumidor demonstrou preferência ainda maior por unidades compactas e funcionais. Os imóveis de dois dormitórios responderam por expressivos 92,9% das vendas, enquanto 57,1% dos apartamentos comercializados possuíam até 50 m² de área útil. O comportamento acompanha uma tendência observada em diversos centros urbanos do interior paulista: procura crescente por imóveis mais econômicos, com menor custo condominial, manutenção reduzida e maior facilidade de financiamento.
Faixas de valores mais praticadas revelam mercado acessível
A pesquisa mostra que o mercado permaneceu concentrado nas faixas de valor mais compatíveis com a renda média regional. Os imóveis entre R$ 201 mil e R$ 250 mil lideraram as vendas, representando 30% das negociações. Já os imóveis entre R$ 151 mil e R$ 200 mil responderam por 20% das operações.
Somadas, as negociações de imóveis de até R$ 300 mil concentraram a maior parte do mercado regional, confirmando o protagonismo do segmento econômico e de médio padrão. O levantamento também identificou participação relevante de imóveis na faixa entre R$ 451 mil e R$ 500 mil, com 10% das vendas, demonstrando que há demanda consistente também por imóveis de padrão superior.
Outro aspecto importante é a relativa estabilidade dos preços anunciados. Em 60% das vendas os imóveis foram comercializados pelo mesmo valor inicialmente ofertado, enquanto apenas 20% tiveram descontos de até 5%. Isso demonstra um mercado mais equilibrado e vendedores mais alinhados às condições reais de mercado.
As chamadas "demais regiões urbanas" concentraram 74,6% das vendas e 65,6% das locações, consolidando o fortalecimento de bairros em expansão e regiões com melhor relação custo-benefício.
O fenômeno acompanha fatores econômicos e sociais relevantes, como o aumento do custo da moradia em áreas centrais, a expansão da infraestrutura urbana em bairros periféricos e a busca das famílias por imóveis maiores dentro de uma capacidade financeira mais compatível.
As áreas centrais responderam por 14,3% das vendas e 21,9% das locações, enquanto os bairros nobres participaram com 11,1% das vendas e 12,5% das locações.
O financiamento imobiliário continua sendo o principal motor das vendas na região. A Caixa Econômica Federal respondeu sozinha por 80% das operações realizadas em abril. Outros bancos participaram com 8,3% das negociações, enquanto as vendas à vista representaram 10% do mercado.
Os números demonstram a importância dos programas de crédito habitacional para a manutenção da atividade imobiliária, especialmente nas faixas de renda média e média-baixa. A facilidade de acesso ao crédito continua sendo decisiva para transformar o desejo da casa própria em realidade.
Locações registram retração e revelam mudança de comportamento
Na contramão das vendas, o mercado de locação sofreu retração expressiva de 33,08% em abril. Ainda assim, as casas mantiveram forte predominância, respondendo por 79% dos contratos assinados.
Os imóveis de dois dormitórios lideraram tanto entre as casas quanto entre os apartamentos alugados, reforçando o perfil familiar predominante do mercado regional. A faixa de aluguel mais praticada ficou entre R$ 1 mil e R$ 2 mil mensais, concentrando aproximadamente dois terços das locações realizadas.
O levantamento também revela mudanças importantes no perfil financeiro das famílias. Cerca de 30,8% dos locatários mudaram-se para imóveis mais caros, indicando melhora de renda ou busca por maior conforto, enquanto 23,1% procuraram imóveis mais baratos em razão da necessidade de ajuste do orçamento doméstico.
Entre as modalidades de garantia locatícia, o seguro-fiança consolidou-se como a principal opção do mercado regional, presente em 62,1% dos contratos. O fiador tradicional apareceu com 34,5%, enquanto o depósito caução respondeu por 3,4% das locações.
A predominância do seguro-fiança acompanha uma tendência nacional de modernização das relações locatícias, oferecendo maior segurança jurídica ao proprietário e mais praticidade ao locatário.
Diante de um mercado cada vez mais técnico, competitivo e sujeito a oscilações econômicas, cresce também a importância da atuação profissional do corretor de imóveis na intermediação de vendas e locações
A análise documental, a avaliação correta do imóvel, a orientação jurídica e contratual, além da capacidade de negociação segura entre as partes tornam-se fundamentais para evitar riscos e garantir maior tranquilidade tanto para compradores quanto para vendedores e locadores.
Em um cenário de crédito mais seletivo, mudanças constantes na legislação e valorização patrimonial significativa em determinadas regiões, a assessoria de um profissional devidamente inscrito no CRECISP representa um importante instrumento de proteção ao consumidor e de segurança para as transações imobiliárias.
Vendas em Abril
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Casas vendidas
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Aptos vendidos
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Casas e apartamentos vendidos
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Locações em abril
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Casas Alugadas
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Aptos alugados
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Casas e apartamentos alugados
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Evolução de venda e locação 2026
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Acumulado 12 meses
Vendas: +155,74%
Locações: +33,47%
Fonte: Simone Nitoli
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