A Cia. do Santo Forte, de São José do Rio Preto, realiza, no período de 18 a 21 de abril, as atividades que marcam o início do processo de montagem de seu novo trabalho, MUSA, obra escrita e protagonizada pela atriz, performer e diretora Tauane Santo Forte.

 

Artistas ligados à produção e convidados realizarão, na Casa Vermelha (sede do coletivo rio-pretense), no Jardim Soraia, uma imersão criativa mediada pelo ator, bailarino, performer e diretor Aguinaldo de Souza, professor do curso de Artes Cênicas da Universidade de Londrina. Os resultados dessa imersão, nomeada de Ritos Profanatórios, serão compartilhados com convidados no dia 20 de abril. A apresentação será seguida de um bate-papo com o público.

 

Segundo Tauane, MUSA é uma investigação crítica das normas sociais e dos papéis que afetam a vida de mulheres artistas dissidentes em sua performance de gênero e sexualidade, levantando discussões sobre invisibilidade bissexual e machismo nas artes.

 

 

A peça escrita pela fundadora da Cia. do Santo Forte pode ser considerada uma obra de autoficção, trazendo o diálogo entre duas personagens. "No texto, além de revelar a paixão da ARTISTA pela MUSA, resgato meu vocabulário artístico, político e ritualístico. Cada cena recebe o nome de uma carta de tarô e as personagens têm a indicação de seus orixás e elementos do mapa astral. Também referencio outros artistas LGBTQIAPN+ e Caio Fernando Abreu, que foi tema da minha pesquisa de mestrado", conta Tauane.

 

Para abordar a temática da invisibilidade bissexual e do machismo nas artes, a autora e atriz da obra propõe uma inversão de papéis que subverte a lógica binária entre o artista e sua musa e entre o homem e a mulher. "MUSA busca encorajar as mulheres a assumirem as narrativas de suas histórias. Além disso, oferece ao público a oportunidade de testemunhar o desenvolvimento de uma obra, tornando a pesquisa transparente, educativa e acessível, e a destacando como uma forma de expressão", destaca a artista.

 

Temporada de estreia

A estreia de MUSA está programada para o segundo semestre de 2025, na Casa Nuvem, em São José do Rio Preto. Ela será antecedida por uma série de encontros nomeada de Café Decolonial, oportunidade em que artistas e especialistas convidados discutirão temas e questões que integram a obra.

 

As ações do Café Decolonial serão realizadas na Casa Vermelha, sendo abertas para pessoas inscritas no formulário que será disponibilizado, em maio, no perfil da Cia. do Santo Forte no Instagram (@ciadosantoforte).


As ações do projeto de montagem da peça teatral MUSA são realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura de São José do Rio Preto e do Ministério da Cultura.

Fonte: Harlen Félix

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